21/08/2016

No abrigo em que trabalha como cuidador, Célio Araújo, 31 anos, conheceu os irmãos Anderson, 10, e Carlos, 12. Apesar de não possuir nenhum relacionamento conjugal, hoje é chamado de pai pelas duas crianças e está prestes a conseguir a guarda definitiva. Ele faz parte de um universo ainda pequeno de homens solteiros que escolheram ser pais adotivos. No Distrito Federal, são pelo menos 22 casos como o de Célio nos últimos três anos. A falta de informação e o preconceito podem explicar as razões da baixa procura.

Por trabalhar na área, Célio sabia como funcionava a adoção por pessoas solteiras e não teve dúvidas durante o processo. “Realmente, existem pessoas que têm o desejo de adotar, mas, por falta de conhecimento da legislação, que mudou há poucos anos, acabam deixando de lado essa vontade”, aponta. O cuidador sempre teve um forte vínculo com os irmãos. As duas crianças tinham um comportamento difícil dentro da instituição, fugiam constantemente, não frequentavam a escola regularmente e eram agressivos. Todas as vezes em que saíam do abrigo e não voltavam, somente a presença de Célio fazia com que eles retornassem. Em uma dessas ocasiões, passaram sete dias desparecidos.

“Eles tinham ido até Ceilândia atrás da família biológica, que mais uma vez os rejeitou. Uma vizinha os encontrou na calçada, depois da meia-noite, muito sujos. Fui ao encontro deles, e disseram que só voltariam se pudessem ir para minha casa”, conta. Célio pediu autorização aos coordenadores do abrigo e, em alguns fins de semana, levava as crianças para a própria residência. O desejo de adoção era antigo, mas ele sempre aguardava um momento financeiro melhor. A família biológica ainda tinha direito de visitas, mas, como os parentes nunca demonstraram interesse, o juiz retirou o benefício. “Eles foram para a fila de adoção, mas há muito preconceito com crianças mais velhas. Com o processo formalizado, eles começaram a passar os fins de semana na minha casa. Em dezembro, oito meses depois, eu ganhei a guarda provisória”, relata.

Aos 31 anos, Célio Aráujo adotou sozinho os irmãos Anderson e Carlos: emoção ao ser chamado de pai

Aos 31 anos, Célio Aráujo adotou sozinho os irmãos Anderson e Carlos: emoção ao ser chamado de pai

Fonte: Correio Braziliense